Um estudo internacional, publicado em julho de 2026 na revista científica Nature Genetics, é considerado o maior já realizado sobre a origem genética do transtorno de personalidade borderline (ou limítrofe). A pesquisa foi conduzida por uma equipe liderada por cientistas do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, na Alemanha, e reuniu dados de 27 estudos anteriores — com mais de 12 mil pessoas diagnosticadas com o transtorno e mais de um milhão de pessoas sem o diagnóstico, usadas como grupo de comparação.

Segundo os pesquisadores, onze regiões do genoma humano foram associadas a um risco maior de desenvolver o transtorno. Perto dessas regiões, nove genes foram identificados como possivelmente relacionados à condição. Antes deste trabalho, apenas um outro estudo genético sobre o borderline tinha sido publicado — e nenhuma variante significativa havia sido encontrada.

O transtorno de personalidade borderline afeta até 2% da população em países ocidentais e é diagnosticado cerca de três vezes mais em mulheres do que em homens. Ele costuma ser identificado por um padrão duradouro de instabilidade emocional, distorções na forma de pensar e perceber a realidade, e relacionamentos interpessoais instáveis. Em muitos casos, os pacientes passam por crises agudas que podem levar à internação.

De acordo com os autores, as variantes genéticas recém-descobertas explicam cerca de 17% do risco herdado do transtorno. Pesquisas anteriores, feitas com famílias e gêmeos, já haviam estimado que a herdabilidade do borderline varia entre 46% e 69%. Ou seja: a genética é importante, mas está longe de explicar tudo — fatores ambientais, como experiências de vida, continuam tendo um papel fundamental.

Para os pesquisadores, essa descoberta pode abrir novos caminhos para o estudo e o tratamento do transtorno — algo que já aconteceu com outras condições psiquiátricas, como a esquizofrenia, a depressão e o transtorno bipolar, depois de avanços semelhantes na genética.

Fonte: informações baseadas na reportagem "Borderline pode ter origem genética, aponta maior estudo já feito sobre o transtorno" (G1 Saúde, 21/07/2026) e no estudo original de Streit et al., publicado na Nature Genetics (20/07/2026). Texto adaptado para fins didáticos.