Minha Rotina (Quase) Perfeita
Todo mundo tem uma rotina. A minha, confesso, não é lá essas coisas, mas funciona — mais ou menos.
De segunda a sexta, saio da cama às sete horas, nunca antes. Faço isso com muito custo, diga-se de passagem. Ponho o despertador para tocar três vezes e só levanto na terceira, quando já não há mais desculpa.
Vou direto para a cozinha e faço um café bem forte — sem café, eu não sou gente. Às vezes, quando estou com pressa, nem tomo café da manhã direito: como uma fruta e saio correndo. Mas isso é raro; geralmente eu me sento, tomo meu café com calma e vejo as notícias no celular.
Depois, visto a roupa do dia, pego a bolsa, as chaves, o computador, e vou para o trabalho. Trabalho em casa três dias por semana e, nos outros dois, vou até o escritório. Prefiro o escritório, para ser sincera: em casa, sempre acabo lavando roupa ou arrumando gaveta em vez de trabalhar.
No meio da manhã, paro, dou uma volta pelo quarteirão e, quase sempre, ligo para minha mãe. Ela sempre pergunta a mesma coisa: "Você já almoçou?" E eu sempre digo que não, porque ainda são dez da manhã.
Almoço por volta do meio-dia. Às vezes cozinho, mas, na maioria das vezes, peço alguma coisa pelo aplicativo — não tenho papas na língua para admitir isso. Depois do almoço, volto ao trabalho e fico até as seis, mais ou menos.
À noite é quando a minha rotina fica interessante. Duas vezes por semana, vou à academia; nas outras noites, prefiro ficar em casa. Eventualmente, saio para jantar com amigos ou vou ao cinema, mas isso não é uma coisa que faço toda semana — dinheiro também tem seus limites.
Antes de dormir, sempre leio um pouco, mesmo que sejam só duas páginas. Nunca durmo sem isso; é o meu ritual particular, uma forma de dizer ao dia: "Pode ir, amanhã eu volto para mais."
No fim de semana, tudo muda. Não ponho despertador, não saio da cama antes das nove e, quando dá, fico de pijama até o almoço. É o meu jeito de compensar a rotina da semana — e, sinceramente, acho que todo mundo merece isso.
