As orações adjetivas (também chamadas de orações relativas) descrevem um substantivo — mas o verbo dessa oração pode estar no indicativo ou no subjuntivo, dependendo de uma coisa: você tem uma pessoa/coisa específica em mente, ou não? Vamos ver como essa pequena diferença muda o verbo inteiro.
A Regra
Quando a pessoa ou coisa mencionada não é identificada — é uma entre várias possíveis, ou pode nem existir — o verbo da oração adjetiva vai para o subjuntivo. Compare:
| Antecedente indefinido (subjuntivo) | Antecedente definido (indicativo) |
|---|---|
| Procuro um homem que saiba falar chinês. | Conheço um homem que sabe falar chinês. |
| Queremos visitar um zoológico que seja interessante. | Visitei um zoológico que era interessante. |
O mesmo padrão vale quando o antecedente é negado com ninguém, nada, nenhum(a) — se a pessoa/coisa não existe, o verbo também vai para o subjuntivo.
| Antecedente negativo (subjuntivo) | Antecedente afirmativo (indicativo) |
|---|---|
| Não conheço ninguém que queira fazer isso. | Conheço alguém que quer fazer isso. |
| Não vemos nada que custe menos de dez reais. | Vejo alguma coisa que custa menos de dez reais. |
Estruturas com quem quer que (whoever), qualquer coisa que (whatever) e por mais/menos que (no matter how much/little) também pedem o subjuntivo — porque, de novo, não sabemos exatamente quem ou o quê.
Quem quer que seja, diga-lhe que espere. (Whoever it is...)
Qualquer coisa que façam, fazem bem. (Whatever they do...)
Por mais que ela trabalhe, nunca tem tempo livre. (No matter how much she works...)
Texto
Depois de dois anos morando com os pais, finalmente decidi procurar um apartamento só meu. O problema é que sou muito exigente: quero um apartamento que fique perto do metrô, que tenha pelo menos um quarto grande e que aceite animais — porque, é claro, o meu gato vai comigo.
ALUGA-SE — Precisa-se de inquilino que tenha renda comprovada e que não fume dentro do imóvel. Apartamento com 1 quarto, próximo ao metrô Vila Madalena. Contato: (11) 98765-4321.
Visitei uns cinco apartamentos essa semana, e nenhum deles era o que eu procurava. Um deles até tinha um quarto que era enorme — esse eu vi de verdade, não é hipótese — mas ficava longe demais do trabalho. Outro tinha uma localização ótima, mas não havia nenhum corretor que soubesse me dizer se aceitavam animais.
Minha amiga Renata, que é corretora, me disse: — Olha, você não vai encontrar nenhum apartamento que tenha tudo o que você quer pelo preço que você pode pagar. Vai ter que escolher o que é mais importante.
Ela tinha razão. No fim de semana, encontrei um anúncio diferente:
PROCURA-SE COLEGA DE APARTAMENTO — Moça de 28 anos busca pessoa que divida as despesas de um apartamento de 2 quartos em Pinheiros. Ambiente tranquilo; animais são bem-vindos. Quem quer que se interesse, mande mensagem.
Aquilo parecia bom demais para ser verdade — mas eu já tinha aprendido: por mais que eu procure a perfeição, às vezes a solução perfeita não existe, só a solução possível. Mandei mensagem na mesma hora.
Hoje moro nesse apartamento em Pinheiros, com uma colega que realmente divide as contas direitinho e que adora gatos tanto quanto eu. Não é o apartamento dos meus sonhos — mas é o apartamento que eu tenho, e isso já é muita coisa.
A. Compreensão
Responda em português, com frases completas.
1. Quais eram os três requisitos da narradora para o apartamento ideal?
2. Por que o primeiro anúncio (o do quarto próximo ao metrô Vila Madalena) não funcionou para ela?
3. O que a amiga Renata aconselhou a narradora a fazer?
4. Onde a narradora mora hoje, e como é a colega de apartamento dela?
B. Indicativo ou Subjuntivo?
Complete com a forma correta do verbo entre parênteses — decida se o antecedente é definido (indicativo) ou indefinido/negativo (subjuntivo).
1. Conheço um restaurante que (servir) comida baiana.
2. Queremos um restaurante que (servir) comida baiana — não importa qual.
3. Não há ninguém aqui que (saber) consertar isso.
4. Há alguém aqui que (saber) consertar isso — é o Marcos.
5. Procuro uma pessoa que (falar) japonês fluentemente.
6. Trabalho com uma pessoa que (falar) japonês fluentemente.
7. Não vejo nada aqui que me (interessar).
8. Comprei algo que me (interessar) muito.
C. Transforme com Ninguém / Nenhum(a)
Responda negativamente, usando ninguém, nada ou nenhum(a) — como no modelo. Preste atenção à mudança do verbo para o subjuntivo.
Modelo: Há alguma pessoa aqui que dirija bem? → Não, não há nenhuma pessoa aqui que dirija bem.
1. Você vê alguma pessoa que possa ajudá-lo?
2. Vocês conhecem alguém que queira comprar um violão?
3. Há alguém aqui que saiba escrever em francês?
4. Você quer escolher um presente que custe muito?
2. Não, não conhecemos ninguém que queira comprar um violão.
3. Não, não há ninguém aqui que saiba escrever em francês.
4. Não, não quero escolher nenhum presente que custe muito.
D. Traduza
Traduza as frases abaixo para o português, usando o subjuntivo nas orações adjetivas quando necessário.
1. There is no language that I don't understand.
2. Don't you see anything that you like?
3. We are looking for someone who has a lot of patience.
4. I know a restaurant that serves typical Brazilian dishes.
5. We don't know anybody who doesn't like barbecue.
E. Produção Escrita
Escreva o seu próprio anúncio classificado (colega de apartamento, emprego, ou "procura-se" o que você quiser) usando pelo menos quatro orações adjetivas no subjuntivo — por exemplo: "Procuro alguém que...", "Precisa-se de pessoa que...", "Não aceito candidatos que...".
Texto e exercícios elaborados para esta atividade — Brazilian Portuguese Hub. Ponto gramatical e exemplos de referência inspirados em Portuguese for Beginners / Português para Principiantes (Univ. of Wisconsin-Madison), Lição 20.
Quando terminar, envie os exercícios para a sua professora. Ela vai ler com atenção e te dar um retorno personalizado — destacando o que você fez bem e ajudando você a melhorar ainda mais o seu português.
